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A senha do papiro é: contato

Cartas
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Por Giovanna Santiago

E se você acordasse e visse sua casa sendo dominada por cartas entrando por todos os buracos da residência, como na famosa cena de Harry Potter? Você não estaria sendo convocado para Hogwarts, claro (ainda não podemos voar em vassouras). Mas ao abrir uma carta, percebe que cada uma delas se trata das mesmas mensagens que são enviadas a você em suas redes sociais.

Imagine só as conversas do grupo da família, tudo por extenso. Ler um livro seria mais rápido do que ler “bom dia” milhões de vezes.

É algo completamente estranho na Era da Internet falar-se de cartas. Os poucos que ainda escrevem, muitas vezes as entregam pessoalmente para seu destinatário. O que eu, autora, acho estranho é o fato de as pessoas preferirem ler textos em um fundo branco com fontes de letras limitadas compostas de códigos e algoritmos.

As cartas antigas eram usadas como o celular nos tempos atuais. Soldados em batalha escreviam para dar notícias às suas famílias; parentes distantes escreviam para aqueles que moravam em outra cidade; românticos faziam pilhas de escritos quando tinham de partir para longe e deixar seu amor à espera.

A tecnologia avançou tanto nos últimos tempos, que até mesmo o sistema de SMS quase não é utilizado em vista de aplicativos como WhatsApp. Não que tudo isso seja ruim, mas nas épocas passadas a conexão entre pessoas distantes estava na ansiedade de enviar uma carta e receber um retorno. A tinta no papel amarelado sem pauta, a caligrafia singular de cada um, o toque das mãos pelo mesmo papel, a intimidade que carrega as palavras. Todas essas especificações são impossíveis de sentir ao abrir a caixa de entrada do e-mail ou checar os textos de aniversário no feed de notícias do Facebook.

O termo “conexão” hoje é designado automaticamente a um mero sinal de Wi-Fi, a Era digital que nos deixa divididamente juntos. É possível entrarmos em contato com quem desejarmos a hora que tivermos vontade, sem que precisemos esperar dias ou meses por uma resposta, mas o que nos faz pensar que essa agilidade virtual tem o poder da união? A internet é veloz, mas é intocável. Já as cartas possuem suas particularidades sigilosas.

Você pode não ter sua casa invadida por cartas como em Harry Potter e a Pedra Filosofal, mas reflita sobre o quão legal seria para aquele alguém especial receber uma sua. Resgate o valor da aproximação, resgate o contato humano em época onde as telinhas são tomadas por pessoas matando zumbis, mas têm seus cérebros comidos pelas redes sociais na vida real.

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Os pontos de vista expressos neste artigo são de responsabilidade do autor.

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