Analfabetismo Digital na Era da Informação

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Por Josenice Sena Rocchigiani Matos*

Há um grande movimento internacional na educação entendendo que, já hoje, mas de forma mais intensa no futuro próximo, aqueles que não souberem princípios de programação serão considerados Analfabetos. Tem até um termo para isso: ANALFABITE1.

Armazenar informações na “nuvem”, fazer transações financeiras online, ou utilizar assistentes com comando de voz, isso pouca gente sabe fazer. E essas são apenas habilidades digitais básicas!

Pesquisa inédita da FecomercioSP (2015) aponta que 95,6% das instituições de ensino do Estado de São Paulo não possuem a disciplina Educação Digital, 83% não sabem o que é o Marco Civil da Internet2 e 65,9% não pretendem incluí-la na grade curricular apesar da exigência da lei. (https://www.fecomercio.com.br/noticia/maioria-das-escolas-paulistas-nao-oferece-a-disciplina-educacao-digital).

No mundo inteiro existe uma profunda carência por profissionais no campo das Tecnologias da Informação, Comunicação e Eletrônica. Só em 2020, em Portugal, 20 mil vagas ficaram em aberto (não temos dados precisos para o Brasil)! Essa é uma área onde as oportunidades de emprego são mais promissoras. E, portanto, um jovem que opte hoje por aprender algo significativo na tecnologia, seja hardware, software, eletrônica, tecnologias de informação e comunicação, encontrará seguramente oportunidades. Aumenta-se em muito o seu grau de empregabilidade, onde os salários são em média mais elevados que os setores tradicionais. Para além de uma capacidade de inserção rápida no mercado de trabalho, há uma expectativa de salários mais elevados para estes profissionais. Depois, uma segunda vantagem é a possibilidade de diversificação, de ter uma carreira promissora, quer nacional, quer internacionalmente. O que significa, também, do ponto de vista cultural e do ponto de vista de crescimento pessoal, oportunidades muito significativas de trabalhar nestes setores.

Quando se trata de marcar presença na internet, o brasileiro é o quarto no mundo que mais gasta tempo online. Segundo estudo feito pelo Google com a McKinsey, “Digital Skills Index – Índice de Habilidades Digitais”, o uso da internet pelo brasileiro é maior em redes sociais do que em ferramentas de aprendizados, criação e programação. O material mostra que o investimento nessa área levaria a um acréscimo de até R$ 380 na renda mensal do brasileiro, equivalente a 40% do salário mínimo, e injetaria até U$ 70 bilhões no PIB brasileiro até 2025. Conhecimento em inteligência artificial, machine learning e automação de dados são algumas das atividades que aumentariam a possibilidade de gerar capital com atividades na internet.

(https://oglobo.globo.com/economia/inclusao-digital-pode-engordar-pib-em-us-70-bilhoes-23550013)

(http://www.abranet.org.br/Noticias/Desenvolvimento-de-competencias-digitais-pode-adicionar-US%24-70-bilhoes-no-PIB-ate-2025-2318.html?UserActiveTemplate=site#.Xrr9kURKjIU).

Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) “no total, 39% dos trabalhos citados pelos participantes do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), correm o risco de serem automatizados ao longo dos próximos cinco ou dez anos.” O relatório Futuro do Emprego 2018, do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) lista funções que tendem a desaparecer: advogados, contadores, mecânicos, motoristas de veículos, bancários, trabalhadores fabris, auditores, gerentes administrativos e caixas de lojas. Os empregos considerados em ascensão pelo relatório do WEF são: analistas e cientistas de dados, especialistas em TI ou Big Data, desenvolvedores de softwares, especialistas em redes sociais e comércio digital, entre outros. (https://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2020/01/22/ocde-trabalhos-dos-sonhos-de-jovens-de-hoje-correm-risco-de-nao-existir-no-futuro.htm )

As Mídias Sociais se tornaram o 5º poder (sendo considerados os demais: Executivo, Legislativo, Judiciário e Grande Mídia). Esse poder muda de certa forma a sociedade e suas estruturas. Gerar conteúdos que influenciam as pessoas deixa de ser exclusividade de grandes corporações e grupos capitalizados, exemplo claro são redes de televisão, e passa a ser também gerado por pessoas comuns e grupos menores. Elas promoveram a “Primavera Árabe”, ajudaram a eleger um candidato quase desconhecido à presidência do Brasil… Ter conhecimentos básicos em gerenciamento dessas redes e principalmente de programação é fundamental no mundo moderno. Competências básicas como navegação e uso já não são suficientes!

Para que se compreenda o poder da computação, basta lembrar que o nosso celular é mais poderoso que o computador que direcionou o homem à Lua em 1969. E a tendência é que os computadores, no futuro, sejam menores do que uma célula. Já tem um nome para isso: Internet de todas as coisas. Ser um analfabeto digital num mundo digitalizado será um fator de exclusão social imensa!

O analfabetismo digital é diferente da exclusão digital. Não está necessariamente relacionado com a pobreza; está relacionado à incompreensão ou ao desinteresse das novas tecnologias. A pessoa tem acesso à tecnologia, um celular, um computador, mas não sabe usar corretamente, ou não sabe tirar o melhor proveito desses recursos em seu próprio benefício. O analfabetismo digital ou tecnológico se define como a falta de instrução e de manejo com ferramentas tecnológicas para realizar atividades do cotidiano; ele se apresenta como uma falta de domínio nos campos das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) e suas linguagens. O analfabetismo digital pode permanecer em estado latente por anos, sem nunca causar o mínimo problema, e de repente surgir uma mudança, como a promovida pela pandemia do Covid-19 e da necessidade de as pessoas usarem aplicativos de celular para obterem benefícios sociais do governo.

Alguns têm resistência a aprender tecnologia com medo de estragar o equipamento, ou achando que seu trabalho será substituído “por um robô”, sem se dar conta de que serão os primeiros atingidos, e sofrerão as consequências no futuro.

Um caso de “resistência” ao uso da tecnologia chamou a atenção: Recém-nomeado ministro da cibersegurança e dos Jogos Olímpicos do Japão, Yoshitaka Sakurada disse ao parlamento que nunca usou um computador em sua vida, apesar de ser responsável por supervisionar os preparativos para a segurança cibernética dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 [jogos adiados]. ( https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/ministro-japones-de-ciberseguranca-admite-nunca-ter-usado-um-computador-23236729 ).

E um outro caso, que “VIRALIZOU3” na Internet, e virou Meme4, merece destaque como exemplo da dificuldade que gerações analógicas encontram em se adaptar às novas tecnologias: A TV Brasil, em parceria com a Rede Minas, na data de 9 de jun. de 2016 apresentou entrevista gravada com a então presidenta afastada, Dilma Rousseff, feita pelo jornalista Luis Nassif. Eis a transcrição do vídeo:

“Pois bem. Inventam uma história fantástica. Que tá na nuvem. [Repórter pergunta: “Ha, o Ebay tá na nuvem?”] É. Tá na nuvem. Sei lá que nuvem. Sabe, eu não entendi muito bem essa história de nuvem. Tô aqui tentando apurar direitinho. Como é que uma coisa pode estar na nuvem? É muito simples estar na nuvem, não tem de provar. Que nuvem? Onde está a prova?”.

(https://www.youtube.com/watch?v=HCB74ydQKEg&t=48s)

Somos agora uma sociedade altamente visual. Já é perceptível como ocorre cada vez mais a substituição ou diminuição da escrita como meio de comunicação em prol da imagem: Emojis, emoticons, memes, siglas e abreviações para comunicadores instantâneos (OMG, LOL, #SQN, WTF5). Diariamente, surgem novas e outras versões no Facebook, no Twitter e até no Instagram, no Snapchat e outras Redes Sociais.

Eis uma lista das Habilidades ou Competências Digitais que você deve desenvolver:

  • Acesso: Inclui habilidades como ligar, configurar e conectar dispositivos em rede para usar as principais funções dos softwares e apps de celular mais importantes, online ou não. Pontos fracos da maioria dos brasileiros: Uso de software de voz e configuração de programas.
  • Uso do Aparelho/Tecnologia: Inclui habilidades como fazer transações, ter presença online, como perfis em redes sociais, boa navegação em qualquer site e buscar conteúdo de forma eficiente. Pontos fracos: Uso de Clou (computação em nuvem) e E-Commerce.
  • Segurança Digital: Inclui habilidades como noções de proteção de dados, avaliação de perigos online e distinção entre informações pessoais e compartilháveis, assim como entendimento de condutas adequadas no ambiente digital. Pontos fracos: Identificação de sites seguros e malware6.
  • Cibercultura: Inclui habilidades como vocação exploratória, hábito de aprendizado por tentativa e erro, atualização constante em relação a novas tecnologias, disposição para resolver problemas e criatividade como combustível para progredir. Pontos fracos dos brasileiros: Tomada de risco em novas tecnologias e cultura de aprendizado por tentativa e erro.
  • Criação: Inclui habilidades como criação em diferentes mídias e apresentações a partir de programas de computador. Conhecimento de ferramentas de divulgação como SEO (Search Engine Optimization = otimização para mecanismos de busca) entendimento avançado de analytics7 e programação. Pontos fracos: Machine learning8 e automação de dados.

_________________________________

(1) Significado de Analfabite Por fabio malikoski (PR) em 31-08-2017    

[Neologismo] Aquele que não possui conhecimento no mundo virtual suficiente para decodificar a linguagem e tecnologias da internet. (https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/analfabite/31031/)

(2) Marco Civil da Internet – O Marco Civil da Internet, oficialmente chamado de Lei n° 12.965/2014, é a lei que regula o uso da Internet no Brasil por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado.

(3) Viralização é um termo que surgiu com o crescimento do número de usuários das redes sociais e blogs. A palavra é utilizada para designar os conteúdos que acabam ganhando repercussão (muitas vezes inesperada) na web.

(4) Meme – A expressão meme de Internet é usada para descrever um conceito de imagem, vídeos, GIFs e/ou relacionados ao humor, que se espalha via Internet.

(5) Glossário Digital: OMG = abreviatura de Oh my God! (Meu Deus!); LOL = Esta é a abreviação de “Laughing Out Loud”, em inglês. Significa “rindo alto”, em português. SQN – Famoso no Twitter como hashtag (#), significa “Só que não”; WTF – Abreviação da pergunta, “What The F***?”. Algo como “Que porcaria é essa?”,  em português.

(6) Malwere – é a abreviação de “software malicioso” (em inglês, malicious software) e se refere a um tipo de programa de computador desenvolvido para infectar o computador de um usuário legítimo e prejudicá-lo de diversas formas.

(7) Analytics é o uso aplicado de dados, análises e raciocínio sistemático para seguir em um processo de tomada de decisão muito mais eficiente. Analytics podem ser aplicados em diversos negócios e departamentos.

(8) Machine learning = Aprendizado de máquina – é um subcampo da Engenharia e da ciência da computação que evoluiu do estudo de reconhecimento de padrões e da teoria do aprendizado computacional em inteligência artificial.

Os pontos de vista expressos neste artigo são de responsabilidade do(a) autor(a).