Autor: Michael Young: Professor do Instituto de Educação da Universidade de Londres e da Universidade de Bath.
Ana Dionizia de Souza Aquino
Ludmilla Paniago Nogueira
Marta Cristina Barbosa
Neide Figueiredo de Souza
O referido estudo intitulado: Para que serve a escola? cujo autor, é Michael Young, professor do Instituto de Educação da Universidade de Londres e da Universidade de Bath tem como objetivo demonstrar as tensões e conflitos de interesses na sociedade mais ampla em relação da serventia da instituição escolar, ou seja, traz a argumentação de que a sociologia da educação deveria ver as escolas como parte dos projetos relacionados de modernização e justiça social.
O autor ressalta que existe uma ligação entre desejos emancipatórios associados com a expansão da escolarização e a oportunidade das escolas em oferecer aos alunos a aquisição do “conhecimento poderoso”. Ainda discute, de forma clara, a “diferenciação do conhecimento” como um modo de distinção entre conhecimento escolar e não-escolar. Pontua, que as formas contemporâneas de avaliação tendem a diluir as fronteiras entre conhecimento escolar e não escolar, uma vez que inibem um currículo mais acessível e mais relevante economicamente. O estudo pautou-se em autores como: Basil Bernstein (1996, 1997, 2000); Michael Young (1971, 1998); John White (2007); (Althusser, 1971; Bowles & Gintis,1976; Willis, 1977) dentre outros.
Neste estudo o autor baseia-se na análise de Bernstein para sugerir que seguir esse caminho pode equivaler a negar as condições para adquirir “conhecimento poderoso” para os alunos que já são desfavorecidos pelas suas condições sociais.
Neste sentido, esclarece que resolver essa tensão entre demandas políticas e realidades educacionais é uma das maiores questões educacionais da sociedade atual. Michael Young, esclarece que por várias razões diferentes, a questão do conhecimento e o papel das escolas na sua aquisição têm sido negligenciados tanto por aqueles que tomam decisões no campo político, quanto pelos pesquisadores educacionais, especialmente os sociólogos da educação.
O auto acima citado, enfatiza que todo pai e todo professor devem fazer a pergunta: “Para que servem as escolas?”. E ressalta que a família e a escola não são as únicas instituições com propósitos que devemos questionar, mas são um caso especial. Então, alerta que as famílias, como tal, têm um papel único, que é o de reproduzir sociedades humanas e fornecer condições que possibilitem suas inovações e mudanças.
E quanto às escolas, afirma que sem elas, cada geração teria que começar do zero ou, como as sociedades que existiram antes das escolas, permanecer praticamente inalterada durante séculos. Há, no entanto, motivos mais específicos para se perguntar: “Para que servem as escolas?” hoje em dia. Desde a década de 1970, educadores radicais e muitos sociólogos críticos questionam o papel das escolas e as vêem de maneira bem negativa. Nesta perspectiva o autor argumenta que, apesar de terem um fundo de verdade que não devemos esquecer, essas críticas são fundamentalmente equivocadas.
A partir deste entendimento, Michael Young, passa a explorar neste estudo as implicações de uma abordagem alternativa que situa as escolas como instituições com o propósito específico de promover a aquisição do conhecimento, e reforça que por várias razões diferentes, a questão do conhecimento e o papel das escolas na sua aquisição têm sido negligenciados tanto por aqueles que tomam decisões no campo político, quanto pelos pesquisadores educacionais, especialmente os sociólogos da educação.
Ademais, traz à tona neste texto reflexões pertinentes sobre: as lutas pelos propósitos das escolas, o papel social da escola na formação de cidadãos, a especificidade do trabalho pedagógico da escola, questiona que tipo de conhecimento é responsabilidade da escola transmitir, reflete novo enfoque acerca de currículo e sobre o conhecimento escolar dito “conhecimento poderoso”, necessário para formação de cidadãos reflexivos e críticos e atuante em seu meio social. Refere-se ao que o conhecimento pode fazer, como, por exemplo, fornecer explicações confiáveis ou novas formas de se pensar a respeito do mundo.
Nesta perspectiva, o autor esclarece, que as escolas acabam precisando de professores com um conhecimento especializado. Além disso, se o objetivo das escolas é “transmitir conhecimento poderoso”, as relações professor-aluno acabam tendo características específicas em virtude desse objetivo. Isso significa que, se as escolas devem cumprir um papel importante em promover a igualdade social, elas precisam considerar seriamente a base de conhecimento do currículo, mesmo quando isso parecer ir contra as demandas dos alunos (e às vezes de seus pais).
Para tanto, as escolas devem perguntar: “Este currículo é um meio para que os alunos possam adquirir conhecimento poderoso?”.
Diante das reflexões posta pelo autor em questão, pontuou que para crianças de lares desfavorecidos, a participação ativa na escola pode ser a única oportunidade de adquirirem conhecimento poderoso e serem capazes de caminhar, ao menos intelectualmente, para além de suas circunstâncias locais e particulares. Isto quer dizer que, a escola ainda é uma a instituição legítima para que crianças, jovens e adultos possam apropriar de conhecimentos que contribuam com a sua formação integral.
Um dos aspectos positivo deste texto, é quando o autor afirma que “o currículo tem que levar em consideração o conhecimento local e cotidiano que os alunos trazem para a escola, mas esse conhecimento nunca poderá ser uma base para o currículo”, que segundo Michael Young, a estrutura do conhecimento local é planejada para relacionar-se com o particular e não pode fornecer a base para quaisquer princípios generalizáveis. Fornecer acesso a tais princípios é uma das principais razões pelas quais todos os países têm escolas.
Partindo desta afirmação, Young destaca o conceito de diferenciação do conhecimento e estabelece uma agenda tríplice para escolas e professores, para os responsáveis por decisões políticas e pesquisadores no âmbito da educação.
- Deve explorar a relação entre o propósito das escolas de criar as condições para que os alunos adquiram conhecimento poderoso, tanto em suas estruturas internas – como as divisões entre disciplinas – como externas – como as fronteiras entre as escolas e as “comunidades (profissionais e acadêmicas) produtoras de conhecimento”, e entre as escolas e o conhecimento cotidiano de comunidades locais.
- Se as escolas forem ajudar os alunos a adquirir conhecimento poderoso, grupos locais, nacionais e internacionais de professores especialistas terão que se envolver com especialistas com base universitária e outros para a seleção, o seqüenciamento e o inter-relacionamento de conhecimento, em vários campos. As escolas, portanto, precisarão da autonomia necessária para desenvolver esse conhecimento profissional. Ele é a base da autoridade dos professores e da confiança que a sociedade deposita neles como profissionais. Pode ser que essa confiança seja às vezes quebrada; porém, toda forma de responsabilidade deve dar suporte a essa confiança, ao invés de tentar
substituí-la. - Os pesquisadores educacionais terão que abordar a tensão que existe no papel essencialmente conservador das escolas como instituições responsáveis pela transmissão de conhecimento na sociedade, especialmente num momento em que esse aspecto de seu papel está evidenciado num mundo cada vez mais movido por instabilidades do mercado.
Diante do exposto e com intuito de finalizar a reflexão acerca deste estudo, reafirma-se que este artigo faz três argumentos relacionados conforme demonstrado pelo autor Michael Young.
O primeiro é que, embora as respostas para a pergunta “Para que servem as escolas?” inevitavelmente expressem tensões e conflitos de interesses na sociedade em geral, os responsáveis por decisões políticas no campo da educação, os professores no serviço ativo e os pesquisadores educacionais precisam tratar dos propósitos específicos das escolas.
O segundo argumento, é que há uma ligação entre as expectativas emancipatórias associadas à expansão da escolaridade e a oportunidade que as escolas dão aos alunos de adquirir o “conhecimento poderoso”, ao qual eles raramente têm acesso em casa.
Em terceiro lugar, apresentou o conceito de que a diferenciação do conhecimento é uma forma baseada em princípios de se fazer a distinção entre conhecimento escolar e não-escolar.
No entanto, o autor deixa claro, que formas contemporâneas de responsabilidade estão ameaçando enfraquecer as fronteiras entre o conhecimento escolar e o não-escolar, com a alegação de que essas fronteiras inibem um currículo mais acessível e economicamente mais relevante. Neste sentido, Young se reporto à análise de Basil Bernstein para sugerir que seguir esse caminho pode ser negar as condições para a aquisição de conhecimento poderoso aos alunos que já são desfavorecidos pelas suas circunstâncias sociais, orienta que resolver os problemas dessa tensão entre demandas políticas e realidades educativas, eu diria, é uma das maiores questões educativas dos nossos tempos. Texto publicado na Revista Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 101, p. 1287-1302, set./dez. 2007