O espaço da Educação Infantil

pessoas.

Cuidar e Educar na Educação Infantil

Ana Dionizia de Souza Aquino

Ludmilla Paniago Nogueira

Neide Figueiredo de Souza

A educação infantil vive um período muito rico e efervescente de ideias e debates. Assim, como de clareza sobre a importância fundamental das boas e enriquecedoras experiências que as crianças devem ter nessa etapa inicial da vida, nas quais são determinantes de muitas de suas competências e habilidades para o resto da vida. (ORTIZ, 2007).

A educação infantil como primeira etapa da educação básica tem como um dos objetivos “estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social”. (BRASIL, 1998, p.63).

Em função disso, a creche merece ter uma estrutura e um funcionamento mais adequado, assim como profissionais mais bem preparados e remunerados, com um melhor nível de conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. Segundo o Plano Nacional de Educação:

Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há “janelas de oportunidade” na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida, descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano. Ao contrário, atendê-la com profissionais especializados capazes de fazer a mediação entre o que a criança já conhece e o que pode conhecer significa investir no desenvolvimento humano de forma inusitada. (BRASIL, 2001, p. 9).

A educação das crianças de zero a cinco anos em estabelecimentos específicos de educação infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma bastante acelerada, seja em decorrência da necessidade da família de contar com uma instituição que se encarregue do cuidado e da educação de seus filhos pequenos, principalmente quando os pais trabalham fora de casa.

A função da Educação infantil é propor práticas baseadas em princípios que priorizem a autonomia da criança no seu processo de desenvolvimento. Essas considerações implicam abordar uma educação nas instituições de educação infantil que não se reduza ao “ensino”, que privilegie somente os aspectos cognitivos no trabalho com “conteúdos”, mas uma educação que priorize o desenvolvimento sujeito/criança, em suas múltiplas dimensões, traçando objetivos que contemplem também o cuidado. (MARTINS; OLIVEIRA, 2003).

Nos textos de Kramer (2005), há uma proposta diante de um mundo globalizado, que é preciso pensar na institucionalização da infância, como capaz de diminuir as desigualdades entre as populações infantis e certificar-se de que as crianças são de fato importantes. Valorizando assim, a educação infantil como:

A compreensão dessa etapa da educação como um direito da criança, portanto, a ampliação da oferta para atender à demanda como parte de uma política para a infância, e a ressignificação de suas funções, práticas, rotinas, objetivos, formação dos profissionais etc. A institucionalização de fato e de direito deve ser capaz de romper com a história de exclusão, ou seja, para que se configure uma nova institucionalidade. (KRAMER, 2005, p. 210).

Essa proposta luta para que todas as crianças tenham acesso a educação infantil, não apenas como forma de deixar as crianças para que os pais possam trabalhar, e sim, compreender que a educação infantil traz diversos benefícios às crianças, por ser um espaço de interações, socializações e principalmente de troca com o outro, de conhecimento, de experiências, e que seja compreendido como um lugar de acesso à diferentes produções culturais e podendo assim, ser um dos caminhos para diminuir as desigualdades.

A preocupação com o desenvolvimento emocional da criança pequena resultou em propostas nas quais, principalmente nas creches, os profissionais deveriam atuar como substitutos maternos. Isso fez com que, “polêmicas sobre cuidar e educar, sobre o papel do afeto na relação pedagógica e sobre educar para o desenvolvimento ou para o conhecimento” (BRASIL, 1998, p. 24), trouxesse à tona questionamentos pertinentes aos educadores da educação infantil.

Embora haja um consenso sobre a necessidade de que a educação para crianças pequenas deve promover a interação entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos e sociais das crianças, considerando que esta é um ser completo e indivisível, as divergências estão exatamente no que se entende sobre o que seja trabalhar com cada um desses aspectos. (FOREST, 2002).

Segundo o Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil, podemos ver que a forma de construir o conhecimento é bastante particular com relação às crianças, pois:

No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem ideias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças. (BRASIL, 1998, p.21-22).

Por isto, o trabalho das educadoras da educação infantil é tão importante, pois é a partir da interação que as mesmas estabelecem com as crianças, que elas desenvolvem seu trabalho pedagógico.

REFERÊNCIAS

BRASIL. MEC/SEF. Referenciais para Formação de Professores. Brasília: dezembro de 1998.

_____. MEC/SEF. Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: 1998.

FOREST, Nilza Aparecida. Cuidar e educar: perspectiva para a prática pedagógica na educação infantil. 2002. Disponível em: www.icpg.com.br.

ORTIZ, Cisele. O papel do professor de crianças pequenas. Pátio: educação infantil. Ano 5, n° 13, mar/jun 2007. p. 10 – 13.

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