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A pureza penetrável do mito: Tradição pictórica moderna

E o famoso “discurso” de Pico, “Sobre a dignidade do homem”, é tudo menos um documento do paganismo. Pois, segundo Pico, Deus colocou o homem no centro do universo para que pudesse ter consciência do seu lugar e assim ter liberdade para decidir “aonde ir”.

Não afirma que o homem é centro do universo, nem mesmo no sentido comumente  atribuído a frase clássica “o homem é a medida de todas as coisas”.

O homem é, na realidade, o único animal que deixa registros atrás de si, pois é o único animal cujos produtos “chamam a mente” uma ideia que se distingue da inexistência material destes.

Outros animais empregam signos e ideiam estruturas, mas usam signos se “perceber a relação da significação” e ideiam estruturas sem perceber a relação da construção.

Ao historiador se submeter a essa lógica reflete que “O homem jamais poderá ser a medida de todas as coisas”. Mas, não por ser dotada de uma consciência empírica, a qual a concebe e a admiti, mas tal qual compreenda um composto de impressões recebidas pela nossa faculdade cognitiva e estimulada tão somente pelas impressões dos sentidos.

Naturalmente o propósito primordial tem sua peculiaridade ancorada às qualidades sensíveis atribuídas ao homem que pode ser definida como a convicção da “dignidade humana”.

O método proposto está, portanto, baseada na insistência sobre os valores humanos: racionalidade e liberdade, além da aceitação de suas limitações que é própria da natureza humana: falibilidade e fragilidade.

Obviamente o conceito explanado atesta a capacidade da obra de arte, do fruidor e expectador experimentá-la esteticamente e aprecia-la de maneira exclusivamente pessoal.

Uma coisa é fato nossa avaliação ante uma obra como produto final de nossas intenções corresponde a uma trama de desejos ínfimos e a ideia de um estado de equilíbrio mais eloquente revelará e denunciará, em algum instante, seu conteúdo pragmático e simbólico.

Sem dúvidas a poética da materialidade cria-se pela necessidade do homem que se converte em necessidades concretas de sua existência. Criar é, portanto, uma forma de comunicar-se com outros seres humanos.

Em contraponto ao problema central, no qual propõe de que os artistas são considerados comentaristas “legítimos” de sua própria obra.

Sei, contudo que a experiência estética jamais deve voltar-se para si, mas sim revelar um encontro com o expectador um verdadeiro estímulo as suas ações agressivas que a nós é a todo custo inerentes.

Ao revelar o enfrentamento ante a obra este o afetará em três componentes: forma materializada; seja no campo das ideias ou em seu conteúdo, de apreciação e, por fim, entre no que denominamos gozo estético da arte.

Segundo Leonardo da Vince: “Duas fraquezas apoiando-se uma contra a outra resultam numa força”. As metades de um arco, sozinhas não conseguem manter-se em pé.

Do mesmo modo, a pesquisa arqueológica é cega e vazia sem a recriação estética, ao passo que esta é irracional, extraviando-se muitas vezes, sem a pesquisa arqueológica. “Mas, “apoiando-se uma contra a outra”, as duas podem suportar um sistema que faça sentido”, ou seja, uma sinopse histórica.

Como Leonardo da Vince afirmou*: antes, ninguém pode ser condenado por desfrutar obras de arte “ingenuamente” – por apreciá-las e interpretá-las segundo suas luzes, sem se importar com nada mais.

Entretanto, o humanista verá com suspeita aquilo que se pode chamar de “apreciativiamo”*. Pois, aquele que ensina pessoas inocentes a compreender a arte sem preocupação com línguas clássicas, métodos históricos cansativos, velhos e empoeirados documentos, priva a “ingenuidade” de todo seu encanto sem corrigir-lhes os erros.

*Il códice atlântico di Leonardo da Vinci nella Biblioteca Ambrrosiana di Milano ,Milão Ed. G. Piumanati, 1-1903, f 244 V. Appreciationism no original; não há termo em português para essa ideia (N. da.T.)

O objetivo dessa pesquisa resolve-se no instante em que o “criar” seja concebido como um agir integrado há um viver humano e este ato de criação e vivência se interligam a partir do que ela traz gravada em si de mais irreversível.

Aspecto relevante que distingue a criatividade humana movida por necessidades concretas sempre atuais e o potencial do homem surge na historia como um fator de realização e constante transformação

Portanto, o expectador deverá ansiar a busca de elaborar motivos para julgar o valor do trabalho e logicamente a ausência dos motivos simbólicos ou pragmáticos motiva-os a formular e a resolver uma questão que supera a questão “retiniana” e alcança a psique.

Literalmente tudo que é intelectual transcendente se une, pois o artista busca em sua substância a própria arte, ao passo que retoma o princípio de refletir e substanciar seu processo criativo e a catarse ocorre quando o artista concebe por além de limites que parte de uma série de pequenos atos repetidos uma atividade exaustiva.

Do exposto, refletir ações voltadas para as sensações cognitivas que se assemelha ao mesmo tempo ao anseio de superação seja no campo da estética, seja no campo pictórico ou cognitivo quem sabe?… Sem dúvida a poética da materialidade se cria pela necessidade do homem que se converte em necessidade de sua existência.

O interesse pela literatura de gênios da arte tal qual Paul Klee embasa meu discurso e me propõem a crer que a arte sempre houve sua origem nos mais profundos sentimentos relacionados aos mistérios do ser.

Não obstante, torna-se pertinente fazer referência ao filósofo John Locke, o qual afirma que não há nada em nossa mente que não tenha passado pelos nossos sentidos. E, em sua obra – “Ensaio acerca do entendimento humano” afirma que nossa mente no instante do nascimento é um papel em branco sem qualquer ideia previamente escrita.

Não obstante, as ideias que possuímos  são adquiridas ao longo da vida mediante o exercício da experiência sensorial e da experiência reflexiva. Contudo, segundo John Locke o termo “ideia” ocorre no sentido de todo conteúdo do processo do conhecimento.  Onde, portanto nossas primeiras ideias; as sensações que nos vêm à mente através dos sentidos (experiência sensorial), e são, portanto, moldadas pelas qualidades próprias dos objetos externos.

Entretanto, se discorrermos tais conceitos voltados para a atualidade Israel Pedrosa em seu livro “Da Cor a Cor Inexistente”, exterioriza e justifica o desejo de Paul Klee, ao passo que salienta a busca incessante de “compreensão da realidade”. Uma compreensão Invisível e alheia aos nossos sentidos ao almejar e ampliar o domínio da estética até alcançar a essência da origem dos elementos cujos quais geram as formas ou ideias dos objetos naturais.

Penso que quando Israel Pedrosa refere-se ao desejo de Paul Klee sujeito as manifestações de sua intenção reflito em se tratar das sensações cognitivas. Portanto, justificado na frase “compreensão da realidade das coisas invisíveis aos nossos sentidos”.

Por fim criar um diálogo afetivo entre obra, expectador e fruidor e que permita vivenciar experiências talvez nem estéticas, mas, sobretudo, sensoriais e psicológicas.

Portanto, o que torna secundário a leitura que esta teoria representa exerce valor acerca das posturas e atitudes dos artistas em relação à realidade que o circunda. O que torna pertinente na disposição para a forma que se manifesta sobre criação de imagens imageticamente expressivas e unificadas pelo sentimento. Pois, se remontarmos a vasta literatura existente sobre a teoria supracitada recordaremos as suas principais teses.

Seguindo o modelo da psicologia experimental proposta por determinados autores aos quais não obtive referencias atribuíram aos objetos a propriedade de agirem sobre as nossas reações psicofísicas. (In Dissertação de mestrado Clara Luiza Miranda. A crítica nas Revistas de arquitetura nos anos 50: a expressão plástica e a síntese das artes. USP, São Carlos, SP. Orientada por Carlos Alberto Martins. 1998).

Em contraponto, outros autores valeu-se de uma matriz idealista tal qual o pensamento de uma transposição dos nossos sentimentos para os objetos que por fim tornavam-se animados.

Objetivamente tais objetos por serem temas centrais das grandes representações pictóricas foram unanimes em considerar as obras de arte expressivas por si próprias, mas pela sua analogia com certos comportamentos psicofísicos do observador. Portanto, nada do que percebemos visualmente age por si próprio; tudo age em conjunto como ressonância do que de semelhante existe em nós.

Pesquisa Documental: PLAZA, Julio. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 1987. (Coleção Estudos, n. 93).

PANOFSKY, Erwin, 1892-1968. Significado nas artes visuais, São Paulo: Perspectiva, 2007. – (Debates; 99/ dirigido por J. Guinsburg)

9.1. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA: Diferença e Repetição, Gilles Deleuze.  Rio de Janeiro: Graal, 1988. ; Ensaio sobre Arte e Estética, João Werner. Primeira Edição do Artista. Março de 2012. ; PLAZA, Julio. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 1987. (Coleção Estudos, n. 93).; CHIPP, Herschel Browning. Teorias Da Arte Moderna / H. B. Chipp: [tradução Waltensir da arte Dutra… ET al.]. – São Paulo: Martins Fontes, 1993. – (Coleção A); OSTROWER, Fayga.. CRIATIVIDADE E PROCESSOS DE CRIAÇÃO Editora Vozes. RJ. 187p. 1977.

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