Ana Dionizia de Souza Aquino
Ludmilla Paniago Nogueira
Neide Figueiredo de Souza
Geralmente as crianças de 4 a 5 anos estão na fase inicial de alfabetização, porém não realizam leitura de textos ou palavras complexas, mas realizam leitura de imagem e, estas imagens facilmente são retratadas em seus desenhos corriqueiros, do dia a dia. Portanto, se faz importante que o professor inicie as produções a partir de experiências vivenciadas pelas crianças, ou seja por ações cotidianas como, solicitar que a criança educando realize um desenho – livre e, ao observar o que eles desenharam verificará que retrataram o acontecimento do final de semana. Nessa faixa etária as crianças já se expressam com mais clareza e nitidez.
Entretanto, o professor deve disponibilizar aos alunos na sala de aula materiais de fácil acesso para que possam ter contato no momento em que eles tiverem vontade ou necessidade de fazerem suas “artes” sem necessariamente ser imposto pelo professor. A criança deve ter a todo o momento possibilidade de realizar experiências com tantos materiais diferentes quanto isto for possível. Os materiais diversos, de consistência e com texturas diferentes, enriquecem a sensibilidade tátil infantil. É importante consideramos que aprendemos com as crianças e consequentemente uns com os outros, é urgente nossa abertura para a arte e, portanto, para a vida.
A criança é capaz de superar seus anseios e nos ensinar como devemos observar o que elas querem dizer, embora nós adultos muitas vezes não saibamos interpretar a sua linguagem. Sendo assim, dificilmente uma criança da periferia desenhará uma casa luxuosa, em seus primeiros ensaios artísticos, pois sempre deverá retratar o que mais é comum a ela.
Por meio da brincadeira, a criança pode estabelecer relação com outra linguagem importante e significativa para ela, que é o desenho. Na ação do brincar, a criança pode ao mesmo tempo desenhar, Sans (1994) sugere:
O brincar e o desenhar para a criança manifestam-se impulsionados pela mesma essência motivadora, que é caracterizada pela ação lúdica. Acontece um constante relacionamento mútuo entre esses dois atos que podem estar tão interligados que em vários momentos estarão simultaneamente numa mesma função. A ação do brincar pode acontecer no ato de desenhar, assim como a ação do desenhar pode também se inserir no ato de brincar (SANS, 1994, p.39).
Para o autor, o brincar pode estar intrínseco no desenhar, como também o desenhar pode estar inserido no brincar. Por exemplo, a criança pode estar desenhando um trem e imaginar que ele esteja em movimento, este pode se transformar em avião e ela pode usar a sua criatividade e brincar que ele esteja voando.
Ao desenhar a criança, apropria-se do lápis ou qualquer outro objeto semelhante e, descobre um potencial ilimitado de possibilidades. Esse fazer torna-se verdadeiro fascínio para a criança. Inicialmente, ao emitir os seus traços, a criança sente prazer no seu gesto em deixar uma marca impressa em qualquer superfície, seja o rastro de uma vareta na areia, a marca do giz na lousa, os furinhos feitos com o dedo na massinha, a impressão da mão cheia de tinta no papel, a marca da ponta do dedo no vidro embaçado, tudo se torna a máxima de sua expressão. É brincando e fantasiando que ela vai construindo e marcando sua passagem pelo mundo, ela vai aos poucos construindo sua identidade social e pessoal.
Por meio dos riscos e rabiscos, a criança se aventura no mundo mágico dos desenhos e através deles revela os seus desejos, suas conquistas, evoca novas descobertas, revive as suas alegrias, seus medos, suas angústias, e acima de tudo retrata toda a boniteza de sua infância. Paulatinamente, nasce o desenho da criança e com ele aparecem os ricos detalhes, pequenas características, a criança vai formando um repertório gráfico como num grande quebra-cabeça e a cada desenho novo, um encontro com as diversas possibilidades de idealizar e criar um mundo próprio com identidade impar e singular.
São a partir dessas construções entre os seus desenhos e representações, que a criança descobre-se, reconhece as cores diferentes, experimenta as inusitadas formas, os traços sinuosos, manipula as mais variadas texturas, explora os espaços do papel, encontra as diferentes maneiras para interpretar os seus desenhos como também apropriar-se da realidade na qual está inserida.
Este torna-se um momento mágico vivido pela criança, nos fascinamos com o seu encanto, com o brilho dos seus olhos, com a sua felicidade e com a beleza singular contemplada na sublime vontade de desenhar. Para nós adultos, o desenho infantil é como uma janela aberta para um lugar ainda desconhecido, que por meio de sua criatividade e imaginação ela vai apresentando aos poucos para o mundo do adulto.
REFERÊNCIA
SANS, Paulo de Tarso Chelda. A criança e artista: Fundamentos para o ensino das artesplásticas/ Paulo de Tarso Chelda Sans. Campinas, SP: Papirus, 1994.