O desenho, representação do pensamento da criança

pessoas.

Ana Dionizia de Souza Aquino

Ludmilla Paniago Nogueira

Neide Figueiredo de Souza

A criança ao elaborar seus desenhos conta sua história e automaticamente traduz seus sentimentos e emoções é pelo desenho que ela age e interage com o meio, por isso a importância da valorização do desenho na escola da infância, e da valorização deste por parte dos adultos que acompanham e avaliam suas produções.

Para a compreensão desse processo consta-se a evolução do desenho a partir das impressões das crianças e das inscrições do desenvolvimento infantil. A compreensão da linguagem do desenho e da criança estão relacionados diretamente com o desenvolvimento das crianças, mais respectivamente às fases segundo Piaget (1976).

Os estágios do desenvolvimento cognitivo, que compreendem o período sensório-motor, pré-operatório e operatório-concreto. No período sensório-motor que vai de 0 a 2 anos o bebê não diferencia o seu “eu” do mundo exterior, ele vai construindo a noção de espaço, tempo, causa e objeto através da experimentação. No primeiro mês de vida a criança não tem a noção de tempo, espaço e comodidade, passa a maior parte do tempo dormindo ou cochilando.

A singularidade do ser humano, em seu processo de desenvolvimento não segue a linearidade nestas fases, entretanto, é inegável a contribuição de Piaget

para a compreensão do desenvolvimento infantil. Para o autor as primeiras imagens mentais aparecem inicialmente aos dois anos, por meio da imitação. Nesta fase começam as brincadeiras de faz-de-conta em que a crianças fingem ser e atuam em determinados papeis é o que podemos chamar de jogo simbólico. Por meio deste jogo, a criança vive situações diversas e representam diferentes personagens.

A criança procura reproduzir os elementos de seu cotidiano convivendo com uma fase de aprendizagem a partir da superação para novas etapas. Enfim a arte constitui-se o equilíbrio entre o intelecto e as emoções, pode servir de apoio para o amadurecimento e o desenvolvimento da capacidade de evolução e desenvolvimento da criança, bem como de suas representações mais significativas, pois:

[…] a criança de 5 anos desenha o pai (1 cabeça e 2 pernas) e diz: pronto, desenhei o pai. Nesse momento seu pai pega a criança no colo e aperta bem com as mãos e questiona com ela. A criança ao desenhar novamente o pai, irá acrescentar as mãos as quais se tornaram importantes para ela e outras partes se assim foram estimuladas. (LOWENFELD, 1976, p. 41).

Nesse sentido o desenho é marcante nas vivências da criança, o que significa que suas produções expressam suas ações vividas e pretendidas articuladas ao imaginário infantil, por meio do desenho as crianças constroem novas linguagens. Estes nascem pelos rabiscos, passando pelas garatujas, o que é essencial para a criança evoluir dessa etapa, quando esta faz seus rabiscos no papel, esta deve estar livre para movimentar-se e controlar seus próprios movimentos, a criança começa com o que podemos chamar de desenho informal.

Os Referenciais Curriculares da Educação Infantil -RCNEI (1988), pressupõe que as garatujas:

Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma ação sobre uma superfície, e ela sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu. A percepção de que os gestos, gradativamente, produzem marcas e representações mais organizadas permite à criança o reconhecimento dos seus registros. (BRASIL, 1988, p.92).

Segundo o documento esse processo apresenta três momentos de evolução, a primeira quando aparece o tipo de traçado próprio da criança, mais ou menos arredondado, convexo ou alongado, o lápis não sai da folha. O segundo momento entre dois e três anos, os esboços, delineamentos de formas se caracterizam essencialmente pelo aparecimento de formas isoladas, tornadas possíveis pelo levantamento do lápis, a criança passa do traço contínuo para o traço descontinuo. E o último começa-se entre três e quatro anos, a imitação do adulto torna-se mais manifesta e se traduz por uma vontade de “escrever” e comunicar-se com outros.

Portanto, é pelo desenho que a criança desenvolve seus sentimentos, pois quanto maior o envolvimento do sujeito em sua obra maior a possibilidade de estarem ali presente as suas alegrias e tristezas, as experiências vivenciadas que lhe provocaram prazer, desprazer, espanto, temor, entusiasmo e muitas outras emoções.

O RCNEI (1988) sugere que por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente e coletivamente diferentes formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então serem apropriadas pelas leituras simbólicas. E considerar o desenhar é fundamental para construir objetos, pelo desenho a criança não expressa tudo o que viu, mas fragmentos do real que lhe foram significativos. Isto justifica apresentar o boneco geralmente com uma “cabeça”, com a presença dos olhos e bocas e saindo desta cabeça, linhas representativas dos braços e das pernas, porque aos quatro anos  uma criança conhece apenas estas partes do corpo humano.

O Referencial, sugere para que as crianças possam criar suas produções, é preciso que o professor ofereça oportunidades diversas no intuito de que estas se familiarizem com alguns procedimentos ligados aos materiais utilizados, aos diversos tipos de suportes e para que possam refletir sobre os resultados obtidos. Nesse sentido, para se ter um bom trabalho com as produções artísticas das crianças é necessário que os docentes disponibilizem os materiais didáticos de educação artística e que a criança tenha livre acesso ao material. Este trabalho deve ser organizado para fornecer às crianças a possibilidade de contato e explorar os materiais.

O desenho da criança deve ser feito livremente sem intervenções diretas, porém poderá haver a intervenção indireta que contribuem para o desenvolvimento do desenho, sendo necessário para isso que o professor pesquise qual o melhor caminho e procedimento há ser usado em cada intervenção para que não haja danos. Essa se torna tarefa coerente e atrativa aos olhos de uma criança, quando esta tem a oportunidade de analisar o desenho do outro. É importante que ao término de sua atividade o professor se sente e converse com seu aluno em um momento de reflexão, pergunte a ele o que é aquele desenho, o que você quis desenhar? Onde você viu? Assim ele será capaz de observar a leitura do mundo do seu aluno. E é nessa ação que o professor se torna o escriba da criança retratando pela escrita as representações realizadas por ela.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LOWENFELD, V. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestra Jou, 1977.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1998

Os pontos de vista expressos neste artigo são de responsabilidade do(a) autor(a).